Você diz que há guerra justa! Que existem males maiores que só se travam com armas. Ainda estou a tentar entender!
Dói-me acreditar! Tal como me custa ver um líder com o dom da oratória, que ainda nada fez, a receber um nobel! Negociações? Poucas ou nenhumas! Decisões que propiciem a paz? Para aplicar no futuro! Penso que foi uma ponderação (á priori) baseada naquilo que o premiado poderá vir a fazer e não no que já fez.
Agora sobre o discurso, sobre a necessidade de se utilizar a guerra como um "meio" para alcançar a paz, como um instrumento que venha a produzir coesão e harmonia sociais. Sempre achei isso surreal. Armas. Bombas. Mortes. Tráfico. Nenhuma destas palavras me parece poder ser incorporada no dicionário da paz, do equilíbrio, do bem-estar. E se existem pessoas que mostraram que podemos alcançar, o que à partida seria inalcançável, sem recorrer à mesma moeda - o uso brutal da força - essa pessoa foi Mahatma Gandhi. Convenceu milhares de pessoas a combaterem pela independência da Índia (na altura colónia inglesa) com pacificidade e sem agressões. E conseguiu! Mesmo que depois disso, muçulmanos e hindus se tenham confrontado brutalmente, por professarem religiões antagónicas, que acabaram por ser distribuídas em territórios distintos, daí o surgimento do Paquistão e da República da Índia!
Mas este é um caso distinto de muitos outros que são solucionados de formas nada pacificas. Geórgia contra Rússia. Israel contra Palestina.
Como é que um país, que se (a sua independência, o seu povo, o seu território) serem atacados violentamente se vai defender? Pacificamente? Vamos deixar que lideres políticos, sedentos de poder, usem a coercibilidade de forma extrema e desumana para beneficio próprio? Vamos permitir que partidos fundamentalistas e radicalistas como o Baath se apoderem do governo de uma nação? Podemos travar os movimentos radicais e sanguinários que se amontoam na África-subsariana com acordos que nunca serão cumpridos?
Não podemos cruzar os braços. Há direitos a defender. Direitos que são imutáveis e inatos a todo o ser humano independentemente da cultura, da tradição ou da distância geográfica a que se encontrem ou da religião que professem.
Existem crianças que devem ser defendidas, mutilações que têm que ser proibidas, armas que não podem continuar a ser traficadas, liberdades de expressão para serem garantidas. Existem e temos que encarar essa realidade, mas dói saber que por vezes é necessário responder com guerra contra guerra!
Infelizmente o Homem não é perfeito o suficiente para poder lutar sem combater, o nosso "nível" de amor ainda é muito reduzido. Que a humanidade caminhe, mude, se transforme... para que ao dicionário da paz deixem de ser atribuídas palavras como aquelas!