por mais textos que escrevam, por mais palavras que desgastem na tentativa de descrever uma noite de amor entre dois amantes, nunca ousam sequer comentar o que acontece depois, quando os desejos são saciados.
Começam pelas camisas rasgadas, pelos beijos suaves que se vão tornando selvagens hà medida que o tempo passa, pelo folgo que surge e se vai descontrolando. Explicam o sabor da pele, do suor, os cheiros do quarto, da cama, dos lençóis agora desarranjados. Tentam expressar, descrever as batidas do coração, tentam... porque nunca conseguem, de tão fortes, agitadas, mortíferas que são.
Por palavras enunciam o que sentiram, falam dos sons, das músicas que tocavam pelos corpos que procuravam controlo. Os segredos ao ouvido, as palavras apaixonadas, o saciar.
E depois? Adormecem, aninhados um no outro. Acordam no outro dia e olham-se na tentativa de que esse olhar transmita o mesmo que da primeira vez.
Todos sabemos que não é só isto que acontece, entre a consumação e o adormecer há um espaço, um tempo, um alivio. Que pertencem tanto à noite de amantes quanto todos os outros, ou até mais. é o momento em que se deitam um ao lado do outro, ambos com um sorriso uno e respiram fundo, o folgo diminui e o carinho salta-lhe por cima. Vêm os mimos, o acariciar, os olhares penetrantes que querem dizer "obrigado, fazes-me bem, gosto de ti".
Não é necessário retirar este momento da noite, ele faz parte dela, completa-a. Sem ele já nada seria o mesmo e o Prazer perderia prazer
Toda a gente acha que sabe comunicar
Há 1 mês

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