Estamos a viver um período a que chamo: o puxar de orelhas!
Créditos fáceis; mentiras fiscais; maus investimentos que sustentássem a economia do país, ou melhor: a falta deles.
Novas oportunidades. Pessoas que se despediam porque acabavam por facturar mais se seguissem a via estudantil. E sim, falo aqui em facturar, no sentido lucrativo do termo.
Sei que o desemprego é um flagelo social e que os que nele se encontram devem ser apoiados por um Estado que se quer social. Mas vamos lá a admitir que muitos desempregados não queriam pura e simplesmente trabalhar. Assisti eu a pedidos, (com as mãos elevadas ao céu e um sorriso matreiro, de quem sabe que há algo de errado nisso), de carimbos.
Foram várias as pessoas que entravam pelo escritório do meu pai adentro. Apresentavam a tal folha e pediam por um carimbozito. "Vá Chico, é só para provar que vim aqui pedir emprego e que não estavas interessado em contratar-me".
-OI??? Falhou aqui alguma coisa? é que não vi ninguém deseperado por um trabalho, pedindo se havia oportunidade para receber um salário e ansioso para põr o corpo em acção? Foi mais o oposto!
Entramos numa cidade como Lisboa e o tráfego rodoviário come-nos vivos. Grande parte dos automóveis levam uma pessoa lá dentro. Isso deve explicar o porquê da Av. Gago Coutinho estar servida por 3 bombas de gasolina. Sim, três!
A maioria dos casais desfrutou do período de vacas gordas sustentado por uma Europa (que anda agora a brincar ás federações). Grandes casarões, carros, viagens anuais. E foi assim que se começou a construir uma sociedade de aparências, na qual me incluo.
Um país completamente virado para a costa litoral. Com áreas geográficas desprezadas, que podiam ser grandes suportes da nossa economia.
Está na hora de sentirmos as orelhas bem quentinhas.
Toda a gente acha que sabe comunicar
Há 1 mês
